Um site criado por IA pode acumular URLs antigas em poucas iterações. O agente renomeia uma página, troca o slug de uma campanha, reorganiza uma seção ou substitui o domínio temporário pelo oficial — mas os links distribuídos continuam chegando aos endereços anteriores.
Redirecionar bem não é mandar toda rota antiga para a home. É decidir se o conteúdo mudou de lugar, se a mudança é permanente ou temporária e se o destino realmente preserva a intenção de quem abriu a URL.
Este guia organiza a revisão da fonte à versão publicada, com atenção a status HTTP, cadeias, loops, canonical e evidências de navegação.
Quando um redirecionamento faz sentido
Um redirect é apropriado quando uma URL ainda recebe acessos e existe um destino equivalente ou claramente sucessor.
Exemplos:
/precos-antigospassou a ser/planos;/servicos/designfoi consolidada em/servicos/brandingcom o mesmo propósito;- uma campanha mudou de domínio sem mudar de oferta;
- uma rota foi reorganizada, mas os links antigos continuam publicados;
- uma página está temporariamente indisponível e há um destino provisório útil.
Não redirecione só para esconder um erro. Se a página foi removida e não há substituta equivalente, uma resposta 404 honesta ajuda mais que enviar a pessoa para uma home genérica. O guia de páginas removidas e erros 404 mostra como decidir entre restaurar, redirecionar e manter a ausência.
Diferencie mudança permanente e temporária
A documentação do Google sobre redirects separa dois grupos:
| Situação | Status mais comum | Sinal principal |
|---|---|---|
| mudança permanente | 301 ou 308 | a URL de destino deve substituir a origem |
| mudança temporária | 302 ou 307 | a URL de origem continua sendo a referência |
Escolha pelo ciclo de vida, não por hábito.
Use uma mudança permanente quando a rota antiga não voltará e o destino representa o mesmo conteúdo ou necessidade. Use uma mudança temporária quando a origem deverá voltar, como durante uma manutenção ou campanha provisória.
Os códigos 307 e 308 preservam o método HTTP. A referência de status HTTP da MDN detalha essa diferença. Para navegação GET de páginas estáticas, 301 e 302 costumam aparecer com mais frequência; para endpoints e formulários, preservar método e corpo pode ser decisivo.
Comece com um mapa origem → destino
Antes de escrever regras, faça um inventário:
origem: /consultoria-antigadestino proposto: /consultoriamotivo: reorganização de conteúdoequivalência: total / parcial / nenhumatipo: permanente / temporáriolinks internos atualizados: sim / nãocampanhas externas conhecidas: [lista]responsável pela decisão: [nome]Inclua rotas encontradas em:
- navegação e rodapé;
- campanhas de e-mail e mídia;
- sitemap;
- canonical e Open Graph;
- Analytics e relatórios de 404;
- documentos e QR codes;
- links de parceiros;
- versões antigas do site;
- domínios temporários e Custom Domains.
O inventário evita duas decisões perigosas: criar regras sem tráfego ou referência conhecida e apontar uma origem importante para um destino apenas parecido.
Exija equivalência entre as páginas
Um bom redirect responde à pergunta que levou a pessoa até a URL antiga.
Se /ebook-gestao oferecia um material específico, mandá-la para uma home institucional quebra a promessa. Se /produto-a foi incorporada por /produto-b, o destino precisa explicar a continuidade — não apenas compartilhar o mesmo layout.
Classifique cada origem:
- equivalente: o mesmo conteúdo mudou de URL;
- sucessora: a oferta ou informação foi substituída por outra claramente relacionada;
- sem substituta: o conteúdo encerrou e nenhum destino cumpre a mesma intenção;
- incerta: falta decisão editorial ou comercial.
Crie redirect para as duas primeiras. Para as demais, preserve uma resposta de ausência útil ou interrompa a implementação até a decisão correta.
Trate redirects como capacidade separada do pacote
O contrato atual do Site no Ar publica index.html, outras páginas HTML e assets nos caminhos enviados. Ele não interpreta um arquivo _redirects incluído no pacote. Portanto, não adicione esse arquivo esperando que uma regra de rota seja aplicada automaticamente.
Quando um redirect for indispensável, confirme primeiro qual camada controla a resposta HTTP: um domínio ou proxy administrado pela equipe, uma origem anterior ainda ativa ou uma capacidade de redirect explicitamente oferecida pela plataforma. A regra precisa existir nessa camada e ser testada na URL pública.
Se nenhuma camada autorizada oferecer redirects, não simule a mudança com JavaScript ou meta refresh. Preserve a página antiga quando possível, corrija links internos e campanhas e registre a limitação até existir um mecanismo que devolva o status HTTP adequado. A documentação de Publicação descreve o comportamento suportado para páginas e assets do pacote atual.
Evite regras amplas demais
Uma regra curinga pode simplificar uma migração ou apagar diferenças importantes.
Este exemplo envia tudo para a home:
/* / 301Ele pode mascarar erros de digitação, páginas removidas e assets ausentes. Também impede que uma URL inexistente devolva 404 corretamente.
Antes de usar um padrão, liste amostras que devem e que não devem combinar:
regra: /conteudos/* → /blog/:splatdeve combinar: /conteudos/guia-de-marcanão deve combinar: /conteudos, /conteudos-antigos/logo.svgTeste bordas como barra final, letras maiúsculas, parâmetros e caminhos profundos. Não presuma que uma expressão usada em outro provedor terá a mesma sintaxe.
Elimine cadeias e loops
Uma cadeia acontece quando a origem passa por vários saltos:
/a → /b → /c → /destinoAtualize /a, /b e /c para apontarem diretamente ao destino final quando a migração for permanente e equivalente.
Um loop é bloqueante:
/a → /b → /aEle também pode surgir de diferenças de hostname, protocolo ou barra final. Uma regra força www, outra força o apex; uma adiciona barra, outra remove. Teste o conjunto como sistema, não linha por linha.
Registre para cada origem:
- status da primeira resposta;
- valor do cabeçalho
Location; - número de saltos;
- status e conteúdo finais;
- hostname final;
- presença de loop ou retorno à origem.
Alinhe links internos, canonical e sitemap
Redirect é uma rede de segurança, não a URL preferida para continuar usando.
Depois de criar a regra:
- atualize menus, CTAs e links de conteúdo;
- use o destino final no canonical;
- remova a origem do sitemap;
- atualize Open Graph e links absolutos;
- revise campanhas sob controle da equipe;
- preserve a origem apenas onde ela ainda precisa capturar referências antigas.
O guia de canonical para sites criados por IA ajuda a manter os sinais convergentes. Para encontrar links que continuam passando por redirects, use o checklist de links quebrados.
Cuidado ao mudar o slug do Site no Ar
Alterar o slug muda a URL <slug>.sitenoar.app. O slug anterior é liberado e não recebe um redirect automático.
Antes de trocar:
- inventarie onde a URL antiga foi divulgada;
- decida se o Custom Domain será o endereço público estável;
- atualize links e metadata no pacote;
- preserve evidências da versão anterior;
- teste o novo endereço depois da mudança;
- trate a URL antiga como uma migração separada, não como um alias garantido.
Um Custom Domain adiciona outro endereço ao mesmo Site, mas não reescreve URLs fixas dentro do HTML. A documentação de Domínios próprios cobre DNS, verificação e SSL.
Teste antes e depois de publicar
Antes de tocar na camada de redirect, confirme na saída da build:
- os arquivos finais das páginas de destino existem;
- links internos já apontam para o destino final;
- canonical e sitemap usam a URL aprovada;
- nenhuma página aponta para
localhost, preview ou domínio de template.
Na camada que realmente controla o redirect, confirme que todas as origens têm destino aprovado, que regras específicas precedem curingas e que a configuração foi aplicada ao hostname correto.
Depois do deploy, faça requisições sem seguir o redirect automaticamente para inspecionar o primeiro salto:
curl -I https://www.exemplo.com/precos-antigosEm seguida, siga o fluxo completo:
curl -IL https://www.exemplo.com/precos-antigosConfirme status, Location, quantidade de saltos e conteúdo final. Abra as rotas críticas no navegador, inclusive em mobile, porque o resultado técnico não prova que a página de destino atende à intenção.
Se houver erro, corrija a fonte, gere o pacote e republique o mesmo Site. Não crie outro Site para contornar uma regra defeituosa.
Peça ao agente uma auditoria fechada
Audite os redirecionamentos deste site sem alterar arquivos ainda.
Fonte: [caminho]Pasta publicável: [pasta]Domínio oficial: [domínio]URLs antigas conhecidas: [lista]
Para cada origem, retorne:- destino atual e destino esperado;- status HTTP;- equivalência entre os conteúdos;- cadeia, loop ou curinga envolvido;- links internos, canonical e sitemap divergentes;- arquivo que controla a regra;- correção mínima proposta.
Não redirecione tudo para a home.Não troque permanente por temporário sem justificar.Não publique. Pare quando faltar uma decisão editorial.Depois da aprovação, peça o diff, a build e uma matriz de testes. A automação deve executar decisões explícitas, não escolher sozinha qual página substitui outra.
Checklist final
- origem e destino inventariados;
- equivalência de conteúdo confirmada;
- tipo permanente ou temporário justificado;
- regras específicas antes de curingas;
- nenhuma cadeia ou loop;
- links internos apontam direto ao destino final;
- canonical e sitemap usam a URL aprovada;
- camada responsável pelos redirects foi confirmada;
- primeira resposta e fluxo completo testados;
- hostname, barra final e parâmetros conferidos;
- URL publicada aberta no navegador;
- evidências registradas por rota e versão.
Redirecionamentos confiáveis preservam a intenção da URL antiga sem transformar o site em um labirinto. Quando regra, conteúdo, metadata, pacote e resposta publicada contam a mesma história, a migração deixa de ser um remendo e passa a ser uma entrega verificável.
